Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

No Funchal com a pequenada


publicado por Patrícia Reis às 23:47
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011

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publicado por Patrícia Reis às 23:50
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

Hoje no diário de notícias

Patrícia Reis vai 'Por este Mundo Acima'

por Maria João Caetano<input ... >Hoje<input ... >

Patrícia Reis

Escritora apresenta novo romance hoje, segunda-feira, às 18.30, na livraria Leya Barata, em Lisboa.

Patrícia Reis não gosta de lançamentos de livros. Apesar disso, na próxima segunda-feira, a jornalista, editora e escritora vai lançar o seu novo romance "Por este mundo acima" (Dom Quixote). A sessão acontece na livraria Barata, em Lisboa, e conta com a apresentação de valter hugo mãe. "Um lançamento serve para validar a obra, porque há sempre alguém que a apresenta. Ora a obra ou vale por si ou não vale. Não estou de todo a desvalorizar o papel que o valter irá fazer mas na verdade é assim: o livro está aqui, ou é bom ou não é bom, ou gostam ou não gostam. Preferencialmente que gostem e que comprem." Não podia ser mais directa, pois não?

A sinceridade é uma das características de Patrícia Reis, autora de obras como 'Morder-te o coração' (2007) ou 'Antes de ser feliz' (2009), mas pensa que teve de chegar aos 40 anos para começar a assumi-la sem receios. "Não quero ser uma salsicha Nobre, não preciso que todos gostem de mim. Faço o melhor que posso e sei e isso é muito melhor do que o que faz a maioria das pessoas. Podem acusar-me de falsa de modéstia à vontade", desafia. Na sua perspectiva, este "é só mais um livro". Poderá não ser o melhor livro do mundo mas é o melhor que Patrícia Reis conseguiu fazer neste momento, depois de se ter empenhado honestamente na escrita durante três anos e sete meses. "Escrevo para partilhar histórias com as pessoas. Isto não é uma corrida, ninguém ganha. A literatura não é uma competição." E acrescenta: "A posteridade não me interessa. Eu escrevo para as pessoas de hoje. Esta é a minha opção."

E foi precisamente a pensar no momento em que vivemos, "na vertigem do consumismo, individualismo, montra de vaidades do facebook, dos e-mails rápidos, dos sms que não têm tom, nem voz, nem toque nem contacto visual", que Patrícia Reis quis "voltar ao básico" e falar das relações entre as pessoas. E já agora contar as histórias de algumas dessas pessoas. "Isso é o que me interessa", confessa.

A acção de 'Por este mundo acima' decorre em Lisboa, após um acidente/guerra nuclear. Não se diz muito sobre o que aconteceu, o importante é que, sem electricidade, sem combustível e sem água canalizada, os poucos sobreviventes têm que viver quase como na Idade Média. E a sociedade reconstrói-se a partir de memórias difusas de uns e de outros e dos livros, esses sobreviventes, que não precisam de tecnologia para existir. Nas palavras da autora: "Perguntaram a Albert Einstein se ele sabia como seria a terceira guerra mundial e ele respondeu que não fazia ideia mas que a quarta seria certamente à pedrada. Isto não é isso, não é esse o tema do livro. É um cenário catastrófico mas é só o pretexto para voltarmos a falar daquilo que é básico, que é o bem e o mal, o ser-se bom ou ser-se mau, a memória que temos ou não das coisas e sobretudo a importância extrema da amizade. Porque no limite é a melhor forma de amor".


publicado por Patrícia Reis às 22:26
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Hoje conto convosco!


publicado por Patrícia Reis às 00:32
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Domingo, 22 de Maio de 2011

Lançamento na segunda feira, 23, livraria Barata, 18h30

"Por este mundo acima" será apresentado por valter hugo mãe. eu serei aquela rapariga a fingir que não é nada com ela.


publicado por Patrícia Reis às 04:33
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011

texto para o blog Delito de Opinião

O meu terceiro filho

 

Ter um filho é ter o coração fora do corpo e, muitas vezes, escrever um livro é associado a esta ideia de maternidade. Ontem chegou um livro novo à feira do livro e hoje estará nas livrarias. Foi o meu terceiro filho (os outros são mesmo de carne e osso) durante três anos e muitos meses. Escrevi e reescrevi. Deixei de molho como o bacalhau. Vi com algumas amigas. Voltei atrás e à frente.
Escrevi, desde o início, para deixar uma mensagem ao meu filho mais velho e, em resumo, a ideia é que vivemos numa vertigem terrível onde a tecnologia predomina, onde os valores humanos se podem perder. Ser amigo por sms não é o mesmo que abraçar um amigo, digo tantas vezes. Mas a vida e o tempo atropela-nos e, curiosamente, parece que não dominamos a vida que queremos ter. Estamos sempre atrasados, temos emails para responder, mandamos mensagens com abreviaturas e esquecemo-nos de dizer todos os dias: Como estás? Amo-te. Estás triste? O que precisas?

 


Por Este Mundo Acima é, então, uma peregrinação futurista em Lisboa, levando-nos aos valores mais básicos de sobrevivência e a todos os que nos definem como seres humanos. Num cenário de destruição, que é apenas a moldura que serve de pretexto para contar a história, um velho editor interroga-se: como sobreviveu? Para quê? Recorda a sua vida, os amigos, a força de algumas ideias, os traumas e os segredos. Por fim, a redenção chega através de um manuscrito e de uma criança. A tecnologia é inexistente. Regressámos ao século XIV, mas os valores: o certo e o errado, o bem e o mal, esses, continuam e prevalecem. Somos solidários com os nossos filhos em tudo, até nos disparates. Com um livro a diferença é apenas uma: este novo livro é mais um que acrescentamos ao caminho da escrita e isso reflecte quem e o que somos de momento. Sem pretensões.

 

Patrícia Reis


publicado por Patrícia Reis às 00:29
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

Texto para o Portal da Literatura

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Por este Mundo Acima é uma peregrinação futurista. Uma visão estranha de um Lisboa destruída após um acidente. Um sobrevivente, velho, interroga-se sobre a sua existência. Revive os momento bons, recorda os amigos, volta atrás numa viagem nostálgica que se torna um instrumento para se manter vivo. Não é um romance sobre uma destruição e o retrocesso da Humanidade, sobre a perda da tecnologia e as dificuldades inerentes. É a história de vida de um homem – Eduardo - que , em tempos, foi uma figura importante do mundo da cultura. O que importa dizer aos leitores? Que é um romance sobre a memória, sobre a amizade, a ideia do Bem e do Mal e, depois, da redenção. No exercício da memória, Eduardo redescobre os amigos, consegue vê-los numa outra perspectiva. Em casa de um deles - sabendo à partida que não voltarão a encontrar-se - encontra segredos e coisas inesperadas. A amizade também é isso: dizer o que se pode; guardar o que talvez não faça falta para se ser compreendido.

Ao fim de três anos de sobrevivência, Eduardo descobre um manuscrito que, por mero acaso, ficara perdido na mesa de trabalho e é o livro que lhe dá alento para enfrentar o mundo. É preciso imprimir, é preciso divulgar, é preciso entender o livro como uma forma superior de co-existir. Enquanto procura um dos amigos, aquele que acredita ser capaz de o ajudar a reproduzir o original, Eduardo sabe que as probabilidades de sucesso são escassas. Apesar disso faz um esforço para atravessar a cidade, os restos da cidade. Encontra um miúdo com oito anos, Pedro. Toda a sua vida se transforma e ganha outra dimensão. Tem um livro novo e uma criança que leva para casa.
A vida de Pedro é-nos relatada por um narrador ausente, sendo a terceira parte do livro. Eduardo encontra uma razão de viver em Pedro e ensina-lhe tudo o que consegue ensinar, obrigando-o a ler uma biblioteca maravilhosa, a biblioteca que herdou da avó. Pedro cresce e consegue construir uma oficina de impressão: o original que Eduardo encontrou ganha vida, por fim.  A Humanidade compõe-se aos solavancos. Uma certa ideia de Humanidade, numa cidade onde todo o mal pode vir do céu. A maldade? Sim, as chuvas ácidas, o desconhecimento, o desligar do resto do mundo por falta de comunicações. A bondade? É inerente a quem ama, mesmo àqueles que aprendem tarde como demonstrar esse amor.

publicado por Patrícia Reis às 00:33
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011

entrevista por Ana Mesquita para o seu blog

Por Este Mundo Acima


Entrevista Ana Mesquita (www.anamesquitaveryown.blogspot.com)


Desde quando te lembras que começaste a  escrever?

Não me lembro de não escrever. E lembro-me distintamente  que a escrita sempre esteve relacionada com dois sons: a música e o barulho da  máquina de escrever que  o meu tio-avô me deu para as mãos. Comecei aos  sete a fazer histórias curtas. Pela adolescência tive uma paixão fulminante  por Mário de Sá-Carneiro e umas tentativas (muito más!) pela poesia. Coisas da  idade. Sempre disse que seria escritora. Escolhi o jornalismo como  profissão para conseguir conciliar a escrita com uma certa sustentabilidade  financeira. Ninguém – ou poucos – vivem exclusivamente da escrita.  

 
Onde gostas de escrever? Em casa? À mão? No PC?  

Hoje escrevo sempre no computador e tenho pânico sempre que algo  acontece, como aqueles mistérios informáticos que fazem com que o ecrã apareça  às riscas (já me aconteceu por duas vezes). Guardo tudo numa memória externa.  Gosto de escrever em casa e preciso sempre de música para o fazer. O meu sítio  ideal – peço desculpa se vos parecer inconveniente ou pouco sério, embora se  façam coisas muito sérias neste local – é na cama. Existem fotografias minhas,  com sete ou oito anos, que mostram como eu escrevia então: exactamente na  mesma posição que assumo hoje, as mesmas almofadas, o mesmo cenário. Nunca  mudei, afinal.

 
Respiravas se não  escrevesses?

Sim. Não respirava se me tirassem a capacidade de ler  ou ouvir histórias. Eu gosto de ouvir e gosto muito de ler alto. É uma  tradição que se perde com o crescimento dos filhos e que, curiosamente, tenho  conseguido manter até agora, tendo o meu filho mais novo onze anos. Há livros  que lê sozinho, outros que lemos os dois, ou seja, eu leio, ele ouve. Sempre  de uma forma muito atenta. Uma coisa é certa, possa embora parecer um cliché,  não é possível escrever sem se ler e ler muito e muitas vezes fora do que nos  é mais agradável, da chamada zona de conforto.

 
Como é  dirigir a Egoísta há mais de dez anos?

O primeiro pensamento é: com  uma grande dose de loucura aliada a uma inesperada organização. A Egoísta é,  porventura, um dos meus projectos mais importantes do ponto de vista  profissional. É, ao mesmo tempo, um desafio permanente, sem nunca se ter  perdido de vista a ideia de que é um veículo de comunicação do Grupo Estoril  Sol e que aposta forte nas curtas ficções e nos portfolios de artistas que, de  outra forma, não tinham onde publicar. Quando começámos, vai fazer 11 anos, o  facto de ser uma publicação temática pareceu, a muitos, como algo quase  patético, sem hipóteses. Hoje em dia há uma série de revistas que são  temáticas, até revistas de órgãos de comunicação social. Não deixa de ter  graça termos feito “escola” e que existam alguns alunos universitários que se  têm mostrado interessados e elaborado teses sobre a Egoísta.  
 
Quais foram as edições que mais gozo te deram?  

Todas as edições dão um prazer único e a próxima, aquela que irá,  por princípio, superar a anterior tem algo de mais empolgante. Ao fim deste  tempo todo é complicado escolher uma ou outra como preferida, sinceramente. Há  temas maravilhosos que deram resultados surpreendentes, como é a edição sobre  Deus ou até sobre Sexo. O mais importante é conseguir ser  inovador na  revista seguinte. Isso é essencial e, muitas vezes, muito complicado.  

Estás a lançar um livro visceral porque tem a ver um filho. A  escrita é sempre fruto de paixão, ou então não vibra?

A escrita é  uma paixão. Na verdade, a vida também o deve ser e se a encararmos assim  teremos tendência a viver um pouco melhor. Este livro foi escrito para o meu  filho mais velho, o Sebastião, por ser uma história sobre a importância extrema da amizade, o bem e o  mal. Acredito que são valores que temos de passar às novas gerações.  
 
Do que é que te esqueces quando estás a  escrever?

Do meu marido, se for sincera. Ele pouco se importa porque  gosta de me ver escrever e até me empurra a isso. É capaz de me dizer: vai  escrever, é o que precisas. Também me esqueço das horas e de comer.   
 
Qual é a tua palavra preferida?

Reciprocidade,  porque sou pouco dada ao individualismo e ao egoísmo, embora me fizesse bem  ter algumas doses destas duas características de tempos a tempos.

O  piropo que mais gostas de ouvir?

O meu filho mais novo manda-me sms  a dizer: gosta tanta ti, mãe. É uma formulação amorosa caseira,  digamos.

Um intelectual pode ser vaidoso, arranjar-se, e ver-se ao  espelho? Ou isso é olhado com alguma desconfiança?

Um intelectual  pode ser um top model! Ser intelectual é o quê? Alguém que pensa, que tem  mundo, que lê, que reflecte? Tudo isso não significa que não se tome nota da  nossa imagem. A imagem é uma projecção também do que somos. Se nos  considerarem menos por termos atenção ao que vestimos então há aí também uma  forma de discriminação e preconceito. Só podemos ter talento, por exemplo,  literário, se sofrermos, formos eremitas, vestirmos de forma disciplicente?  Julgo que essa noção já se perdeu e ainda bem.

Tens medo de  alguém?

Das pessoas em geral. De multidões. Da maldade das pessoas.  Das pessoas que estão em lugares que lhes permitem ferir seja quem for.  Pessoas que não me conhecem, por exemplo, e tecem comentários, que dizem mal  pelo puro prazer da maldade. Somos um povo que não é educado na ideia de  festejar o outro, de se alegrar com o êxito alheio. Há uma mesquinhez que  depois leva a outras múltiplas maldicências que me metem medo.  Combato este medo -  embora a palavra medo talvez seja excessiva -  cultivando uma certa indiferença na certeza de que o gosto, tal como a  amizade, é selectivo. Há ainda outro aspecto que é a idade. Quando se é muito novo queremos pertencer uma tribo, ter uma matilha. Queremos, no fundo, que gostem de nós. Com a idade, aprendemos que é fantástico existirem pessoas que gostam de nós e que as outras só têm a importância que lhes quisermos dar.

Com quem nunca irias para uma ilha  deserta?

Sozinha.

Se pudesses juntar em casa, à mesa,  seis grandes escritores, vivos ou ressuscitados, quem  seriam?

Vergílio Ferreira, Machado de Assis, Clarice Lispector, Eça  de Queiróz, Agustina Bessa-Luís e Inês Pedrosa.

O que  servirias?

Gaspacho alentejano para começar com peixinhos fritos,  queijo e azeitonas, vinho tinto.

O que faz rir?

Poucas  coisas me fazem rir. Nunca fui uma pessoa de riso fácil. Há um actor dos anos  50 que tem esse poder sobre mim, Danny Kaye. De resto, nem com os Gato  Fedorento ou anteriores. O riso chega-me através das pessoas com quem partilho  a vida, pelos apartes que fazemos – vicentinos ou não – e que dão uma certa  cor ao meu dia.

O que farias por amor?
 
Morreria por  amor.



publicado por Patrícia Reis às 11:21
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