Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Feira do Livro ao frio

O Zé Francisco manda vir cachecóis leya, vermelhos e brancos. À mesa, a Mariana, a Cecília, a Inês e eu. De repente, uma miúda com uma deficiente clara pede um autográfo, traz consigo No Silêncio de Deus. Há um gesto de amorisidade na forma como carrega o livro. Não consigo compreender o nome da leitora à primeira, à segunda, à terceira tentativa. Começo a ficar nervoso, leitora também. Foi um momento constrangedor. Assinar um livro é dar-lhe uma chancela de amor e fi-lo mal. Não consigo deixar de pensar nisso e espero que a Márcia, o nome dela é Márcia, me possa perdoar. Fiqiuei a pensar que temos pouca margem para ouvir os outros. Estamos habituados a uma regularidade de palavras cujos sons não suscitam dúvidas. Quanto os meus filhos eram pequenas eu era uma máquina eficaz de descodificação verbal. Mesmo das coisas mais estranhas. Hoje fiz um mau papel. E fiquei triste com isso.


publicado por Patrícia Reis às 00:02
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